Salve Padre,

Na súplica à Nossa Senhora de Pompéia, mas também em outras orações menores, refere-se a Maria como “a onipotente por graça”.

Pergunto-me se isso tem significado simbólico ou literal. Maria pode fazer milagres sem “passar por Deus”? Não encontrei quase nada por aí sobre este assunto.

Se não for assim, o que significa “onipotente por graça”?

E se, em vez disso, for assim, quando Maria intercede e quando realiza Ela mesma o milagre?

Obrigado como sempre pelo tempo.

Deus o abençoe e Nossa Senhora o guarde sempre.

Paolo

Resposta do sacerdote

Caro Paolo,

1. O beato Bartolo Longo, na bela súplica à Nossa Senhora do Rosário, em um determinado momento se expressa assim: “Vós sois onipotente por graça. Vós, portanto, podeis ajudar-nos”.

Onipotente por graça se distingue de onipotente por natureza.

Por natureza, apenas Deus é onipotente.

2. São Tomás precisa que Deus “pode fazer tudo o que é possível”. Vale dizer que não pode fazer o que é intrinsecamente contraditório, como, por exemplo, que um evento que se realizou no passado não se tenha realizado.

E também não pode pecar, porque o pecar é um defeito de perfeição no agir.

3. Como Nossa Senhora é uma criatura e, portanto, ela mesma necessitada de ser mantida na existência instante por instante, não é onipotente por natureza.

Portanto, Nossa Senhora não pode fazer o que apenas Deus pode fazer, como, por exemplo, um milagre. Porque o milagre é uma ação realizada acima do poder de toda natureza criada.

Nossa Senhora, por mais alta que seja, permanece sempre uma criatura.

Certamente pode pedi-lo, pode obtê-lo, mas apenas Deus pode realizá-lo.

4. Diz-se, todavia – e, justamente -, que Nossa Senhora é onipotente por graça, isto é, foi feita onipotente.

Não foi feita onipotente no criar o mundo, porque isso pertence apenas a Deus, mas foi feita onipotente na sua oração, na sua intercessão. Por isso São Bernardo a chamava: “Onipotência suplicante” (omnipotentia supplex).

5. De onde deriva esta onipotência?

Da sua singular participação no sacrifício de Cristo, na Sua paixão e morte.

Singular não simplesmente porque a aceitou plenamente sem obstaculizá-la, mas também porque a sua vontade era plenamente conforme à de Cristo.

Como Cristo voluntariamente se ofereceu à paixão e morte, assim a Nossa Senhora voluntariamente, e não apenas passivamente, ofereceu o sacrifício do seu filho e o seu.

Santa Catarina de Sena diz que se, por absurdo, Cristo tivesse tentado descer da cruz, Nossa Senhora – pelo extraordinário e sobrenatural amor que tinha por Deus e pela humanidade – O teria colocado ali novamente.

Houve, por parte da Nossa Senhora, uma participação não apenas passiva, mas ativa no sacrifício da Redenção.

Singular, portanto, é também o seu mérito.

6. Como no dia da anunciação disse o seu sim ao anjo loco totius Ecclesiae (em lugar de toda a Igreja e em lugar de todos nós), assim igualmente a sua ativa e meritória participação no sacrifício do calvário foi feita em nome de toda a Igreja e de cada um de nós.

Houve, pois, um mérito de Maria diante de Deus por cada um de nós.

Por isso, mereceu tornar-se dispensadora de todas as graças. Por todas as graças, de fato, rezou, sofreu, ofereceu e mereceu.

7. Do céu, a Nossa Senhora vê todas as nossas necessidades e a todas quer prover com o seu ilimitado amor materno.

E como Cristo no céu está sempre vivo para interceder em nosso favor, assim também a Nossa Senhora no céu continua a oferecer o sacrifício de Cristo e a sua pessoal participação por todas as nossas necessidades.

Diante de um mérito e de um sacrifício tão grande, como pode o Eterno Pai dizer não?

Sobretudo se o que pedimos é pedido bem, isto é, com humildade, com perseverança e em referência à nossa eterna salvação?

Eis por que a sua oração é onipotente: pode alcançar tudo.

Com o desejo de que possas fazer incessantemente essa experiência, abençoo-te e recordo-te na oração.

Padre Angelo

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