Bom dia,
Leio que é necessário oferecer nossos próprios sofrimentos a Deus.
Não compreendo. O que ele pode fazer com os meus sofrimentos, que não são nada comparados ao que Jesus sofreu por nós?
Me parece quase falta de respeito. 
No íntimo, penso: “Senhor, te ofereço os meus sofrimentos”, mas o penso sem compreender o motivo, lhe ofereço pois sei que é um modo de demonstrar minha fidelidade.
Mas oferecer simplesmente porque sei que Lhe apraz, sem compreender, tem de fato um valor para Ele?
Paola


Resposta do Sacerdote

Cara Paola,
1. Voce diz de maneira muito clara que nossos sofrimentos não adicionam nada à redenção concretizada por Cristo, que tem um mérito infinito e suprabundante.

2. A participação nos sofrimentos de, como recorda São Paulo, é necessária na linha da distribuição dos tesouros que Jesus conquistou por meio da redenção.
Participando com nossos sofrimentos é como se abríssemos as portas ao mérito de Cristo para difundirem-se em nossa vida; como se abríssemos uma barragem e deixássemos escorrer a água que esta contém para derramá-la sobre uma determinada pessoa ou sobre toda a humanidade.

3. Pio XII, na encíclica Mystici corporis, cujo 80º aniversário de publicação acabamos de celebrar, escreveu: “Ao morrer na Cruz, Cristo deu à sua Igreja, sem qualquer cooperação dela, o imenso tesouro da Redenção; mas, ao distribuir esse tesouro, Ele não apenas comunica à sua Esposa pura a obra de santificação dos outros, mas quer que essa santificação flua também, de alguma forma, da ação dela.”

4. Portanto, os nossos sofrimentos não são considerados causa eficiente da expiação dos pecados.
Estes foram expiados de uma vez por todas por Cristo.
A necessidade de nossa cooperação é na distribuição dos méritos da paixão de Cristo.
Como para um automóvel não basta ter o tanque cheio para trafegar, mas é necessário que a gasolina chegue ao motor, assim nossos sofrimentos e nossas boas obras têm o papel de transmitir uma maior quantidade de méritos e de santificação de Cristo a nós.

5. Reconhece-se, claro, que os nossos sofrimentos são um nada em si mesmos mas, ainda assim, uma série de nadas.
A este propósito encontramos uma bela reflexão em uma carta de Santa Teresa do Menino Jesus: “Eu posso fazer bem pouco, ou mesmo nada sozinha […].
De fato, o zero, por si mesmo, não vale nada; porém, se é colocado ao lado do um, se torna potente, porque – entende-se – se coloca ao lugar justo, depois e não primeiro!” (Carta 202, ao Padre Roulland, 9 mai. 1897).

6.  Por essa razão, Pio XII escreveu nessa mesma encíclica: “Um mistério certamente tremendo, e nunca suficientemente meditado: isto é, que a salvação de muitos depende das orações e mortificações voluntárias empreendidas para esse fim pelos membros do Corpo Místico de Jesus Cristo, e da cooperação dos Pastores e dos fiéis, especialmente dos pais e mães de família, em colaboração com o divino Salvador.” (EE 6, 193).

7. No Evangelho do último domingo, ouvimos que até os fios de cabelo da nossa cabeça são todos contados (Mt 10,30).
O que é um cabelo em nossa cabeça? Parece que não é nada.

Perdemos tantos deles, e para nós são insignificantes.

Mas não é assim para o Senhor.

São Tomás, comentando esta afirmação de Jesus, observa que só as coisas preciosas são consideradas.

Para Jesus, portanto, tudo é precioso. Especialmente se estiver ligado ao seu sacrifício, porque adquire um valor maravilhoso..

Te desejo tudo de bom, e te recordo em minhas orações.
Padre Angelo

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